Durante os últimos oito anos, na Soamee entregamos mais de 150 projetos de software. Desde MVPs para startups em fase semente até plataformas enterprise que operam em dezenas de mercados. E em todo esse tempo, uma pergunta apareceu de forma recorrente em cada kickoff, em cada retrospetiva, em cada conversa com um novo cliente: como sabemos que o software que construímos é realmente bom?
Não é uma pergunta trivial. A indústria do software carece de um padrão universal de qualidade. Não temos o equivalente a uma estrela Michelin, uma certificação ISO simples ou um selo de denominação de origem. O que temos são métricas parciais: cobertura de testes, velocidade de sprints, pontuações de Lighthouse, ratios de uptime. Cada uma útil no seu contexto, mas nenhuma capaz de oferecer uma visão completa.
Hoje apresentamos a nossa resposta a esse problema: o Soamee Artisan Index.
O que é o Artisan Index
O Artisan Index é um framework de avaliação multidimensional que analisa a qualidade do software a partir de 7 perspetivas complementares. Cada dimensão pontua-se de 0 a 100, e a pontuação final é uma média ponderada que reflete tanto a excelência técnica como o impacto real no negócio do cliente.
Não é um exercício teórico. Aplicamo-lo internamente a cada projeto que entregamos e utilizamo-lo como ferramenta de melhoria contínua. Partilhamo-lo agora publicamente porque acreditamos que a conversa sobre qualidade do software precisa de um novo vocabulário, mais rico e mais honesto do que “funciona” ou “não funciona”.
As 7 dimensões
1. Craftsmanship (Artesanato)
A base de tudo. Avaliamos a qualidade intrínseca do código: aderência a padrões de design, consistência em naming conventions, complexidade ciclomática, ratio de dívida técnica. Utilizamos ferramentas como SonarQube e ESLint com regras estritas, além de code reviews entre pares com rubricas padronizadas.
Um Craftsmanship de 90+ significa que qualquer developer senior pode abrir o repositório, entender a arquitetura e começar a contribuir sem necessidade de uma sessão de explicação.
2. Performance (Desempenho)
Não nos limitamos a executar Lighthouse em modo laboratório. Medimos Core Web Vitals em condições reais, tempos de resposta de API sob carga, tamanho do bundle JavaScript, eficiência do SSR e comportamento em dispositivos com ligações lentas.
A diferença entre um Performance de 60 e um de 90 é a diferença entre um utilizador que espera e um utilizador que converte.
3. Resilience (Resiliência)
Como se comporta o software quando as coisas correm mal? Avaliamos circuit breakers, sistemas de retry, filas de mensagens, health checks e mecanismos de graceful degradation. Medimos o MTTR (Mean Time To Recovery), a taxa de erros e o uptime real nos últimos 12 meses.
Um software com Resiliência 95+ pode perder uma base de dados e continuar a servir respostas em cache ao utilizador final enquanto se recupera.
4. Adaptability (Adaptabilidade)
Quanto custa adicionar uma nova funcionalidade? Quanto tempo precisa um novo developer para ser produtivo? Medimos o acoplamento entre módulos, a cobertura de documentação técnica, a existência de APIs internas bem definidas e a facilidade de extensão.
A Adaptabilidade é o que diferencia um projeto que evolui com agilidade de um que se torna num monólito imóvel.
5. Security (Segurança)
Avaliamos o cumprimento do OWASP Top 10, a frequência de auditorias de dependências, a implementação de políticas de proteção de dados, os headers HTTP de segurança, o uso de análise SAST/DAST e os resultados de testes de penetração.
Em projetos regulados (fintech, healthtech, legaltech), esta dimensão pode ter um peso adicional na avaliação final.
6. User Experience (Experiência de Utilizador)
Não basta funcionar: tem de ser um prazer usar. Avaliamos cumprimento WCAG 2.1 AA, consistência do sistema de design, resultados de testes de usabilidade com utilizadores reais, qualidade das mensagens de erro e fluidez dos fluxos principais.
Um UX de 90+ significa que 95% dos utilizadores completam as suas tarefas sem fricção.
7. Business Impact (Impacto de Negócio)
Esta dimensão tem o dobro do peso na fórmula final, e com razão. Medimos a melhoria real em conversão, a redução do time-to-market, a frequência de deploys bem-sucedidos, o ROI documentado e o alinhamento com os KPIs de negócio do cliente.
O software pode ser tecnicamente perfeito, mas se não gera valor para o negócio, não pode ser considerado artesanal.
A fórmula
A pontuação final do Artisan Index calcula-se assim:
AI = (C + P + R + A + S + UX + 2 x BI) / 8
Onde cada letra representa a pontuação (0-100) da dimensão correspondente. Business Impact multiplica-se por 2 antes de calcular a média, o que reflete a nossa convicção de que o software existe, antes de tudo, para gerar resultados.
Os benchmarks
Definimos quatro níveis de referência:
- 0-40: Legacy — Software com dívida técnica significativa, sem testes, difícil de manter.
- 40-60: Standard — Funcional mas com áreas de melhoria claras em desempenho ou segurança.
- 60-80: Professional — Boas práticas aplicadas, monitorização ativa, equipe comprometida.
- 80-100: Artisan — Excelência em todas as dimensões. Software crafted com maestria.
Os nossos projetos internos apontam sempre para o nível Artisan. Nem todos o alcançam na primeira iteração (um MVP, por exemplo, pode ser perfeitamente válido com uma pontuação Standard), mas o Artisan Index dá-nos um roadmap claro de para onde evoluir.
Porque o partilhamos
Acreditamos que a indústria do software precisa de melhores ferramentas para falar de qualidade. Não para criar hierarquias nem para criticar o trabalho alheio, mas para estabelecer uma linguagem comum entre técnicos e stakeholders de negócio.
O Artisan Index não pretende ser o único framework válido. É o nosso, nascido da nossa experiência, dos nossos erros e das nossas convicções. Se lhe for útil, adapte-o. Se quiser discuti-lo, estamos abertos à conversa. E se quiser saber que pontuação obteria o seu software atual, a primeira auditoria é gratuita.